Crescer à pressa
Agora que se começou a notar a barriga para além dos limites do razoável e da dúvida, as pessoas querem falar sobre o assunto. Desta vez, embora menos eufórica, como já estou habituada à ideia e já sei bem quanto tempo dura uma gravidez, até acedo em revelar partes mais secretas. Mas não era por isso, o post. Era por causa de uma mãe que entre louvar a coragem e fechar a boca de espanto me dizia: "é melhor assim, fica logo despachada". Despachada das fraldas, do leite, das sopas sem sal congeladas em pequenas doses, dos choros, do sono intercortado, dessa coisa aborrecida que é um bebé não poder explicar o que sente. Olho para a Alice que dá os primeiros passinhos seguros e teima em tentar subir escadas, e penso que até há bem pouco tempo, pouco mais fez do que comer, dormir, chorar, provar novos alimentos, sujar fraldas e pilhas de roupa. Se tirar isso tudo, fica muito pouco. Pelo menos muito pouco que se possa explicar em palavras. Viver esses "incómodos" em fast forward era o que eu menos queria quando pensei num segundo filho. A Ana escreveu um dia, com graça como sempre, sobre esse eterno começo adiado: achamos sempre que depois do liceu, depois da faculdade, depois do primeiro emprego, depois do casamento, depois de engravidarmos, depois do nascimento, depois do primeiro mês, depois de começarem a comer papa, depois de experimentarem sopa, depois de começarem a andar, depois de falarem como nós, depois de tudo despachado é que vai ser. E quem vamos sendo entretanto?
Hei-de voltar ao tema, quando conseguir despachar-me de todos outros injustificáveis afazeres, seja lá isso quando for.