Equinócio
É uma das primeiras palavras difíceis de que me lembro. Ouvi-a agora recentemente outra vez: a voz da Eunice Muñoz, as palavras da Sophia, no LP da Menina do Mar, que povoou durante anos os meus silêncios de filha única e que o vizinho de baixo transformou em zeros e uns num CD pirata. É do equinócio de Setembro que fala a história, das tempestades e marés vivas que então chegavam à praia.
O início do outono passado foi uma data importante aqui em casa - eu completava as 40 semanas de gravidez e convencia-me cada vez mais de que não queria a cesariana marcada para a terça-feira seguinte. A maré viva que chegou nessa altura ainda não nos deixou: continuamos a dormir pouco, com ondas altas e uma corrente que nos arrasta da cama todas as manhãs e a meio da noite.
Passaram seis meses sobre o último equinócio, o quer dizer que daqui a dois dias o bebé novo cá de casa completa meio ano. O Pedro, na sua curta existência, vai cumprindo o desígnio secreto de tornar possíveis projectos que da primeira vez me pareciam desvarios assustadores.
Apesar das recomendações da OMS quanto ao aleitamento materno, da nossa persistência e do apoio da pediatra que escolhemos a meio do percurso, com a Alice o exclusivo ficou-se pelos quatro meses, quando se estreou a comer com colher uma refeição diária de fruta, e o suplemento entrou em cena aos cinco, a par da primeira papa.
Agora, foram seis meses de intimidade e saudável dependência entre mãe e filho, seis deliciosos meses. O segundo filho também é único.