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Recuperando o tempo perdido

No dia 21 de Setembro pensámos ir ao Jardim Zoólógico. Por essa altura, a Alice já gostava muito de girafas (embora ainda chamasse a todas o nome da primeira - Cáqui) e queríamos gozar a última folga a três. Esteve mau tempo no equinócio e adiámos sine die a visita. Há quase seis meses era imprevisível o que se podia fazer nas horas seguintes. A verdade é que o dia de passeio no bairro, com várias idas à rua e consequentes subidas ao terceiro andar, resultou na derradeira visita ao hospital cerca de 24 horas depois. E nunca mais me senti tão cansada como no fim da gravidez.

Por isso, apesar das noitas menos dormidas, das bronquiolites & dentes do Pedro, dos pesadelos da Alice, do trabalho do pai sempre em ebulição, ontem de manhã olhámos para o sol, pegámos nas mochilas assim mesmo como estavam, e rumámos a Sete Rios, fazendo do destino um mistério.

Na semana passada, por causa do programa matinal preferido dos que já falam cá em casa, a Cáqui ganhou um segundo nome, é agora Cáqui Girafa Georgina. Na semana passada, também, chegou o sling da Rosa que me decidi a encomendar, apesar dos quase seis meses e mais de sete quilos do bebé Pedro. Eu acho-o prático e bonito, o pai acha que lhe serve (e usa-o), o filho acha-o confortável em todas as posições sugeridas e mais umas quantas que vamos descobrindo à medida das necessidades. Na semana passada, infelizmente, terminou a última licença parental que tínhamos para gozar, alargada por mais uns dias por ter sido várias vezes interrompida para cobrir folgas e frequentar reuniões. No fim da semana passada, mesmo que a ciência diga que não, começou a primavera. Estamos inebriados, nostálgicos, patetas, alérgicos e ensonados. Por isso, decidimos não esperar mais, ir ao finalmente ao Jardim Zoológico, e retomar a actividade neste blogue.

Sair de casa a quatro não é fácil, mas o espírito da nova estação ajuda (apesar de um de nós ser alérgico aos poléns). A descontracção que dois anos de pais nos deram, também. Tudo se resolve quando os dois filhos podem usar a mesma camisola e andar no mesmo carrinho (ambas as coisas à vez), quando temos um colo sem mãos que cabe dobrado na mochila e ainda serve de sala de refeições ou cobre-pés. Não tenho pena que tenhamos esperado seis meses por este dia. Lamento, no entanto, ter desperdiçado seis meses sem sling e sem blogue. Faz parte das promessas de ano novo recuperar tempos perdidos, pensar na vida e escrever sobre ela, fazer trinta anos e verificar o conteúdo da mochila antes do passeio.

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